A Estação dos Olhos Baixos
A Estação dos Olhos Baixos O balanço da Linha 12-Safira da CPTM tem um ritmo próprio, uma espécie de solavanco metálico que dita o compasso da Zona Leste em direção ao centro de São Paulo. Às sete da manhã, o vagão não é apenas um meio de transporte; é um imenso dormitório vertical em movimento, onde os corpos se escoram uns nos outros por pura falta de espaço, unidos pelo cansaço e pela gravidade do asfalto. Mas há uma luz estranha que flutua sobre esse mar de gente. Não vem das lâmpadas fluorescentes do teto, mas de baixo. Centenas de rostos, espremidos ombro a ombro entre as estações São Miguel Paulista e Brás, estão inclinados no mesmo ângulo exato de trinta graus. São as cabeças baixas da era do silício. Uma névoa azulada, emitida por telas de todos os tamanhos e trincas, ilumina as testas, as bochechas e os olhos fixos. Ali, no aperto do...